Touguinhó - Resenha Histórica

 

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O Património que herdámos é a marca dos nossos antepassados, é a memória viva de um legado muitas vezes esquecido, abandonado e ignorado. Torna-se necessário no desenvolvimento de uma cidadania plena e consciente a procura de marcas do passado tornando-as num património de todos e para todos. A inegável riqueza patrimonial e cultural do Município de Vila do Conde constrói-se também com o contributo das suas freguesias. Touguinhó, terra ativa e buliçosa ao longo dos tempos, com os seus moleiros, lavradores e lavadeiras, merece que seja feita "memória do seu passado".

 

Resenha histórica e vestígios arqueológicos

 

A freguesia de Touguinhó é contemporânea de Tougues e Touguinha, como parece poder depreender-se da etimologia - Touguinhó aponta para que seja um diminutivo de Touguinha e ter-se-á formado a partir do sufixo do latim – ó. O nome poderá provir de "Tauquiniola" derivado de "Touquinia" (Touguinha), e esta de "Tauques" (Tougues). As referências documentais apesar de escassas mostram que no século XI o nome usado na documentação existente não é Touguinhó, mas "Pigeiros", que aparece a designar o local da Igreja de S. Salvador e ainda toda a "villa" rústica. Apesar da palavra Touguinhó poder ter sido usada no século XI, há um vazio documental que permita comprovar esta hipótese.

 

O topónimo "Pigeiros" é referido num documento em que a Condessa D. Ximena Fernandes, filha de D. Fernando Trastamires e de sua mulher D. Elvira herdou bens nesta freguesia. Em 1034 a condessa D. Ximena fez doação dos bens que possuía a seu filho D. Soeiro Pais e sua esposa D. Eilo, como é registado no documento de dote «...de heridade mea propia que aveio in villa Pejarios sive in termino de Tauguinia...». Há ainda topónimos da freguesia que remontam a tempos feudais como "Gândara".

 

Nas Inquirições de D. Afonso II, de 1220 Touguinhó aparece designado como "Touguinoo". Ao arcebispado de Braga pertencia o direito de nomear abade. O Abade Soeiro Mendes respondeu que nesta terra havia dois casais reguengos que pagavam à coroa a terça ou a quarta parte dos frutos que se colhiam neles, para além das obrigações - direituras, a saber, por casal, um soldo "pro bacali", dois soldos "pro cabritos", uma teiga de trigo " pro fregaciis", três soldos "pro renda", um frangão e dez ovos. Em todo o país havia terras reguengas que enriqueciam o património da coroa e faziam do rei o grande senhor entre os senhores. Senhores reagiram contra as Inquirições mandadas fazer por todo o reino, dado que conheciam os abusos de nobres e clérigos, privilegiando terras que punham, de modo, abusivo a coberto da sua honra.

 

Nas Inquirições Gerais de Afonso III de 1258 surge uma nova referência:


"Item, in termino de Mata habet ecclesia quandam leiram que incipit in molendino de Toloza et vadit per ripariam usque ad pontem das Presas.(...) Item, in Mondim habet ecclesia de Touguinoo unum casale totum damercatum et habet ibi quebradas divisas et assignatas de quibus Dominus Rex habet terciam partem. Omnia vero alia singula et universsa que sunt in ista parrochia sunt regalenga Domini Regis. (...)

 

Touguinhó fez parte do concelho de Barcelos e foi integrada no concelho de Vila do Conde pela divisão administrativa de 1836. Notabilizou-se pelos seus largos Passais e terras da Igreja nas freguesias limítrofes, fazendo dela uma das paróquias mais pretendidas pelo clero paroquial. No século XVIII o abade tinha o rendimento anual de 800 mil reis. A isso se deve o velho dizer dos párocos:


«Em Tougues estou
Touguinha vejo
Em Touguinhó me desejo»

 

As pesquisas de Silva Rodrigues revelam que o cobiçado lugar de Abade era obtido através de concurso, saindo depois no «Diário do Governo», por meio de decreto. Ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX surgiram "dinastias" de Abades como os Faria de Machado e os Araújo Pereira. António Faria de Machado um dos abades da freguesia instituiu um morgado vinculando a sua Quinta de Pedregais a um seu sobrinho com o mesmo nome. Estes Machados eram uma família importante do Noroeste, pois eram descendentes de um ramo da antiga família dos Alcaides de Barcelos, tronco do velho e celebrado Alcaide de Faria.

 

O último abade de Touguinhó, Dr. Acácio António Pereira Barbosa, foi abade entre 1898 e 1921 e Prior de Vila do Conde onde faleceu a 1 de maio de 1941. Foi também vice-presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde e presidente no período de 7 de Janeiro a 1 de Outubro de 1910. Foi no seu tempo que a antiga residência paroquial e passais foram vendidos a Abílio Galante, aquando da separação da Igreja do Estado. No século XV os bens imóveis cobriam quase a totalidade da freguesia de Touguinhó e estendiam-se por freguesias vizinhas como Santagões, Formariz, Beiriz e Amorim. As grandes herdades e caseiros que pagavam chorudas rendas eram de Touguinhó, Santagões, S. Pedro de Formariz, Beiriz, e Amorim. Em Touguinhó, a Igreja era dona de pelo menos quatro azenhas - Ponte d´Este, Campo, Guilhade e Torno. Agras, leiras, vinhas, cortinhas e bouças, rendiam na maior parte dos casos muitos alqueires de pão e também linho, uma riqueza invejável.

 

Os vestígios visíveis dados pela arqueologia são escassos, os testemunhos foram sendo destruídos ao longo dos tempos e a bibliografia sobre o assunto é dispersa, em alguns casos limitando-se a breves referências sobre a freguesia. É necessário ainda fazer o cruzamento com estudos arqueológicos a uma escala macro-espacial.

 

Segundo o arqueólogo Paulo Costa Pinto as primeiras referências ao passado arqueológico de Touguinhó são-nos dadas por Martins Sarmento que nas suas pesquisas em Vila do Conde e Póvoa de Varzim refere a presença de um Castro para os lados da Igreja de Touguinhó com vestígios de superfície e ainda a existência de telha romana no lugar da Sobreposta. Em 1883 Martins Sarmento percorreu os concelhos de Vila do Conde e Póvoa de Varzim à procura de mamoas e vestígios materiais. Descobriu duas mamoas em Tougues e uma na Junqueira. Cerca de 1900 foram descobertos em Touguinha dois vasos em forma de chapéu invertido. Em 1952 importantes descobertas arqueológicas foram feitas em Fornelo, Mosteiró, Canidelo, Guilhabreu, S. Paio e Tougues.

 

A tradição oral alude para a existência de vestígios passados no Alto do Mirante e os topónimos Madorra e Vila Verde apontam para a presença de vestígios de ocupação humana antiga. Madorra aparece geralmente associada à presença de monumentos megalíticos e Villa Viridis (Vila Verde) está associado à presença romana em Portugal. Vila Verde e Madorra são dois lugares nos limítrofes com a freguesia de Beiriz. Se alargamos o âmbito de estudo constatámos que perto da Madorra, mas já na freguesia de Beiriz, no Alto da Vinha em 1912 foram encontradas duas aras votivas, as regravações do texto dificultam a sua leitura mas o seu caráter votivo parece uma certeza. Também nesta freguesia foram encontradas fossas ovóides abertas no saibro que podem ser datadas da primeira fase dos finais da Idade do Bronze.

 

Os estudos de A. do Carmo Reis demonstram que a presença celta, assentando morada nos castros que ladeiam o curso dos rios, nas redondezas do Ave e do Este, está em Arcos, Touguinhó, Touguinha, Ferreiró, Outeiro, Bagunte, Santagões, Macieira, Vairão, Retorta e Labruje. Os celtas eram mestres na indústria de ferramentas, viviam da lavra e pastoreio, comiam carne de porco e peixe do rio, bebiam cerveja e sacrificavam a Endovélico, deus dos deuses.

 

José Manuel Coutinhas num artigo sobre a cultura castreja em Vila do Conde refere-se aos castros de Touguinha e Touguinhó relatando que a informação é escassa, mas que no início do século XX apresentavam vestígios "claramente visíveis". No concelho de Vila do Conde os povoados castrejos com mais vestígios de romanização devido à presença de "tegulae" e "imbricis", cerâmica "sigillata", vidros e moedas romanas são em Bagunte, Arcos, Retorta e Vairão. Via Veteris cujo percurso conhecemos através das Inquirições de 1220 passava por Modivas, Macieira e o Rio Ave. Carlos Alberto Brochado de Almeida nas suas pesquisas refere a existência de uma ocupação romana, documentada por materiais de construção junto à Igreja Paroquial de Touguinhó.

 

Ainda segundo José Manuel Coutinhas as freguesias de Modivas, Vilar, Mosteiró e Guilhabreu situadas na planície fértil que corre do Ave ao Leça sofreram uma romanização intensa. No lugar de Souselo (Vilar) apareceu no século XIX uma pequena estatueta em bronze de Júpiter e fragmentos de "tegulae" podendo tratar-se porventura de uma habitação. Em Guilhabreu há ainda o registo de uma inscrição funerária.

 

 

 

 
 
 
 

 

 

monica sousa t

 

 

 

 

 
 
 
 
 

 

 
 

 

 
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Informações úteis:

 

Em consequência da reforma administrativa do território as antigas freguesias de Touguinha e Touguinhó cessam juridicamente, constituindo a União de Freguesias de Touguinha e Touguinhó, sendo a sede da União de Freguesias Touguinha.

 

 

 
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