Igreja de Santa Clara

 

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Um cavaleiro teve um sonho: durante três noites o cavaleiro sonhou com uma escada em caracol, envolta em perfume que se elevava de um monte até ao Céu. Esse cavaleiro era o infante D. Afonso Sanches, filho bastardo de D. Dinis e o monte era o castro de S. João, na foz do Ave, onde a mulher, D. Teresa Martins, possuía um castelo.

 

Esta é uma explicação poética para a construção da igreja de Santa Clara de Vila do Conde. O contexto histórico, porém, era bem mais atroz: D. Dinis antagonizava a governação do reino com o seu filho legítimo, o futuro D. Afonso IV. Formavam-se dois partidos – o do Rei, liderado por este e coadjuvado por D. Afonso Sanches, e o real herdeiro coadjuvado pela mãe, a Rainha Santa Isabel, que, nessa época estava a erigir um convento de clarissas em Coimbra (Santa Clara a Velha). Daí se entenda a fundação desta igreja e complexo monástico que começou a erigir a 7 de Maio de 1318, com o alto patrocínio do próprio monarca.

 

Em 1354, não estando concluídas as obras do conjunto, pede D. Afonso Sanches ao filho, em testamento, que as conclua. As mais importantes obras de beneficiação da igreja ocorreram no século XVI, sob o impulso das abadessas D. Isabel de Castro e D. Catarina de Lima, a quem se deve a transladação dos túmulos dos fundadores para a nova capela que construíram – dos fundadores ou de N. Senhora da Conceição. Esta capela, destaca-se no conjunto gótico por ser: "aberta por arco apontado de moldura inferior cairelada, e coberta por abóbada polinervada estrelada. No seu interior, as abadessas mandaram colocar os túmulos dos fundadores, refeitos para o efeito, de acordo com a estética do tempo manuelino." (IGESPAR) os túmulos são provenientes da oficina de Diogo Pires-o-Moço. Importante capítulo foi a deposição do corpo de D. Brites (fundadora da casa de Bragança), filha única de S. Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável nesta igreja. Os coros foram construídos no século XVI.

 

Do século XVIII é o órgão de tubos da igreja, e o apainelamento dos tectos. O claustro contém a fonte e arca de água/ cisterna do mosteiro. Aqui terminava o conjunto de 999 arcos que compunham o aqueduto das «águas livres do mosteiro». O convento foi extinto, com os restantes, em 1834, com a legislação de Joaquim António de Aguiar, permitindo que no caso de Vila do Conde, o convento só fosse extinto com a morte da última freira. Foi o período de maior delapidação do património desta casa de que foram autores, principalmente, autoridades civis e eclesiásticas. Vila do Conde ficou mais pobre porque o património de uma das mais ricas casas conventuais foi disperso pelas .

 

 
 

 

 
 
 
 
 

 

 

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Informações úteis:

 

Classificação:

Monumento Nacional, Dec. 16-06-1910, DG 136 de 23 junho 1910, ZEP, DG 145 de 23 junho 1960

 

Acesso:

Largo D. Afonso Sanches

 

 
 

 

 
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