Viva a Virgem, viva a Malgada!

 

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Estamos em pleno Inverno. O tempo está frio, a chuva, por vezes, forte marca um compasso monótono. Que motivos têm os vilacondenses para festejar? E no entanto, este período sombrio que é característico dos meses de Inverno são de intensa celebração. Sobre a festa de Santo Amaro, a Feira dos 20 e a Senhora da Guia debruçar-nos-emos ao longo deste artigo.

 

Estas celebrações religiosas, que assumem um evidente caráter profano, perdem-se na memória e misturam a mundividência cristã e a mundividência pagã. A nossa referência serão as memórias do senhor Artur do Bonfim, memória inestimável da História Local na segunda metade do século XX. No entanto, utilizaremos outras fontes, reconhecendo que a memória humana, embora constitua um instrumento valioso na construção do discurso histórico, possuem pouco poder de alcance temporal e, muitas vezes, atraiçoam-nos. Assim, consultamos algumas fontes periódicas e, numa fase muito recente recorremos às nossas próprias memórias e experiências.

 

«Santo Amaro, meu Sant'Amarinho, vou-vos amarrar com rosca e vinho»

 

As Memórias Paroquiais de 1758 providenciam-nos uma das melhores imagens do país no Antigo Regime. Tratou-se de um inquérito ordenado pelo Marquês de Pombal e dirigido a todos os Párocos do Reino. E assim, o Prior de Vila da Conde à época, o Rev. Francisco de Lima e Azevedo Camelo Falcão apressou-se a cumprir a ordem do todo-poderoso Secretário de Estado, fornecendo-nos o retrato da vila, dos seus recursos e dos seus costumes. E a pena do Prior não falhou ao descrever a festa de Santo Amaro, e de como em o dia do santo "concorre em o terreiro da sua capela uma feira que dura o espaço de três dias, romagem numerosa, com franqueza de tempo antiquíssima, e que em algum tempo durou oito dias" 1. As informações dadas pelo Prior mostram-nos que durante o século XVIII já se fazia esta festa e que a mesma seria antiquíssima e que muita gente à feira acorria, sem nela pagar imposto alguma. Este cenário ainda se verificava na transição do século XIX, para o século XX. Em 1889 noticiava "O Jornal de Villa do Conde" que a festa se fazia "com música na véspera e no dia, missa cantada, sermão e o costumado arraial." A fonte reforça a ideia de que esta festa era das que mais pessoas atraía a Vila do Conde 2. Em 1908 M. Nogueira relatava no "Commercio de Villa do Conde" que "o arraial da festa que ali se realizava em honra d'aquele Santo, se constituía numa importante feira, tal a concorrência que ao local afluía". Reconhecia, porém, o autor que em 1908 a importância dessa feira, que outrora durava oito dias (de 14 a 21 de janeiro), era já reduzida, só importando o dia do Santo e o Domingo seguinte 3.

 

Em 1949, o "Renovação", dava os parabéns à Confraria de Santo Amaro pela "grandiosa procissão que pela sua organização e pela riqueza e bom gosto dos numerosos grupos de anjos e figuras alegóricas, ricos andores e numerosas confrarias que nela tomaram parte."4 A realização da procissão de Santo Amaro em 1949 foi uma das raras excepções, pois da sua realização pouca memória há. A festa era de missa e romaria com muita concorrência de gente das freguesias vizinhas. Artur do Bonfim lembra que outrora, os mesários se aproveitavam do culto ao Santo e os versos cantados nas tascas onde se "amarrava" o Santo com rojoadas e fritos:

 

"Pelo Santo Amaro,

De vós como, de vós bebo,

E de vós pago a quem devo!" 5

 

Ora, era de tal forma o aproveitamento que se fazia da festa, que os Mesários da Confraria tinham má fama. Dizia-se que o dinheiro era dividido no sistema de "malga para ti, malga para mim...". E daí se compreenda o último verso cantado "E de vós pago a quem devo". Em 1917 noticiava "A República" que esta festa costumava ser "muito concorrida e muito rendosa para o Santo." 6 Mas em 1950, noticiava a Renovação: "já vai longe o tempo em que o rendimento da festa (...), em patacas e vinténs, se media às tijelas... Agora porém, o caso é mais sério, e a Confraria para manter a tradição da festividade, vê-se, por vezes, em embaraços." 7

 

Acabaram as malgadas! Os mesários já não se governam com o Santo. Mas os vinténs e os patacos ainda se mantêm em forma de euros, pelos menos os suficientes para que no terreiro da capela ainda se celebre Santo Amaro, bem amarrado à mesa dos vilacondenses com os rojões, as papas e o vinho.

 

«Bendito! Meu negócio de uma cana! Para viver no mundo alegremente, venha uma feira desta por semana»

 

Os mercados no Antigo Regime e, porque não dizê-lo, durante o século XIX e boa parte do século XX, não eram espaços exclusivamente comerciais, eram-no também de convívio e troca de experiências. Isto é notório sobretudo em espaços rurais, como é o caso de Vila do Conde. Partindo de comunidades rurais pequenas, e atarefados com os afazeres do campo, os lavradores iam à feira não só para vender ou comprar. Ia-se, trajando o melhor fato ou vestido, para conversar, jogar às cartas, beber o quartilho de vinho, namorar. Nessa época, os mercados em Vila do Conde já não tinham um caráter esporádico, intrinsecamente relacionado com o calendário religioso. As feiras tinham dia fixo e realizavam-se todos os dias 3, 12, 20 e em 1873, criou-se mais um, também, fixo, a 27 de cada mês. Nessa época ainda não se realizavam nos lameiros existentes atrás da Matriz, mas espalhados por toda a vila: o gado era vendido no terreiro, os tamanqueiros faziam seu negócio na Praça Vasco da Câmara, as cavalgaduras a leste da ponte, junto ao antigo matadouro municipal. Em dia de feira, as ruas de Vila do Conde transformavam-se num imenso centro comercial, onde reinava o caótico frenesim dos vendedores e dos compradores.

 

Mais tarde virá o mercado e um dia fixo para a sua realização. Em 1883 os mercados semanais passaram a ser fixados à segunda feira por causa da concorrência de mercados de outras localidades vizinhas, que determinavam a afluência de comerciantes e clientes, afetando, deste modo a qualidade da feira. E as feiras eram uma importante fonte de rendimento para a edilidade, daí que ela se tenha preocupado em dotar estes espaços de grande dignidade 8.

 

Destas feiras, duas eram francas e destacavam-se pela sua grandiosidade: a de 20 de janeiro, no dia de S. Sebastião, e a de 3 de agosto, a primeira das festas do Carmo. A «Grande Feira dos 20», era já considerada pela imprensa local como uma das mais concorridas do Norte de Portugal. A Renovação revela-nos uma imagem do que foi aquele dia vinte de janeiro de 1942: "a parte central da vila atulhada de lavradores e não lavradores, lavradeiras ouradas, filhas-família todas de ponto branco, algumas com as relíquias de chapéus de 1860, moçoilas do campo com o seu derriço, enfim Maneis e Marias sem conta – Vila do Conde era, de facto, um paraíso terreal. O comércio, mesmo sendo Inverno, tirou o casaco e ficou em mangas de camisa. Devia ter suado camarinhas de sangue, com tanta trabalheira, mas no fim da festa deu três pancadas no abdómen e disse olhando a gaveta: Bendito! Meu negócio duma cana! Para viver alegremente neste mundo venha uma feira desta por semana." 9 A pequena terra transformava-se, assim, num mar de gente, cheia com os ricos lavradores e suas famílias que inundavam as velhas ruas com os produtos agrícolas que vinham comerciar, e à vila vinham comprar os artigos das lojas e enchiam as tabernas. As raparigas apresentavam-se com as melhores roupas e ouros de família. Vinham, também elas, para a grande montra do mercado nupcial, exibir-se aos mancebos da vila ou a outros lavradores.

 

Além do evidente pendor comercial, associou-se esta feira a fins caritativos. Foi o que aconteceu em 1944, quando a «Grande Feira dos 20» serviu de pano de fundo ao cortejo das oferendas em favor das obras do novo Hospital da Misericórdia 10. Assim, acrescentava-se à evidente função económica uma função sócio-caritativa.

 

Relativamente à vertente social, ao namoro, mais concretamente, ele não é evidente nas fontes até à década de 1950. Em 1952, A Renovação calculava que a multidão reunida em Vila do Conde, por causa da feira, se cifrava em quinze mil pessoas, dando-se especial relevo à mocidade que "deu largas à sua alegria" 11. Só em 1955 é que a designação «feira dos namorados» aparece pela primeira vez na imprensa e como forma de propaganda veiculada pela rádio e jornais, para atrair mais mocidade à feira 12. Isto não quer dizer, que popularmente o certame não fosse conhecido por «feira dos namorados». Oficialmente esta feira era a «Grande Feira dos 20». O povo é que lhe conferiu a bonita imagem associada ao namoro. Artur do Bonfim relata a feira na sua mocidade: vinham os rapazes e raparigas do Concelho para arranjar namoro. Os rapazes, em fila, iam falar com a moça. Perguntava à rapariga se era corrido, isto é, contar coisas da sua vida, ou em verso. Conta o sr. Artur que uma vez uma pediu corrido e o rapaz, malandro, pegou nos socos e fugiu. Depois a rapariga regressava ao campo e contava quantos tinham ido "namorar" com ela. Era uma espécie de sondagem que atestavam a sua validade no mercado matrimonial, sendo, por isso, motivo de orgulho. A esta gente da lavoura juntavam-se, ainda os rapazes do liceu da Póvoa. Vinham e compravam colheres de pau, que ofereciam à rapariga que queriam namorar.

 

E estas práticas ajudaram a dinamizar a feira, mas não o suficiente para que ela viesse a perder com toda a concorrência comercial, que não se compadece das tradições do povo. Hoje, a 20 de janeiro, já não se vendem as rezes, que ora são comerciadas pelas grandes superfícies comerciais. Já não se oferecem as moças casadoiras: o casamento já não é um valor essencial, nem sequer as raparigas precisam de esperar por uma feira para se mostrarem aos rapazes. Outras formas de convívio surgiram. Mas o que perdurou na sexta feira mais próxima do dia 20 de janeiro, a que se continua a chamar de «feira dos 20», independentemente do dia que calha, é esta bonita tradição de oferecer colheres de pau à mulher a quem se devota o coração.

 

Senhora da Guia a Rir é o Inverno que está para vir...

 

A festa da Senhora da Guia é um marco na vida anual da cidade de Vila do Conde. A data marca os quarenta dias do Natal, constituindo-se, portanto, na última festa relacionada com o ciclo natalício. Outrora, esta festa denominava-se Purificação de Nossa Senhora, lembrando o facto do período de abstinência sexual que as mulheres observavam no pós-parto e o início de um novo ciclo de reprodução. Hoje, esta festa não tem este pendor feminino. Após a renovação litúrgica do Concílio Vaticano II, a festa manteve-se, não como uma solenidade mariana, mas como uma solenidade do Senhor. É a festa da Apresentação do Senhor no templo, que assinala a apresentação de Cristo no templo em Jerusalém, como era hábito entre os judeus. Mas, tradição é tradição, e a festa ficou sempre associada à virgem Maria. Em muitos lados ela é a Senhora da Luz, Senhora das Candeias, porque a Liturgia do dia prevê solene lucernária. Em Vila do Conde esta festa é a Senhora da Guia, padroeira dos homens dos pescadores, a estrela do mar.

 

A realização desta festa perde-se no tempo. O prior Francisco Falcão referia nas aludidas Memórias Paroquiais de 1758 que esta capela era antiquíssima, Oratório dos Príncipes Fundadores do Mosteiro (D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins em 1318) e que a mesma foi Igreja Paroquial de Navais, freguesia do atual concelho da Póvoa de Varzim. É possível que o fosse, dada a confusão administrativa que reinou em Portugal até à reforma dos concelhos no século XIX. E, no século XVIII, ainda era costume na procissão que da Matriz saía ir o Prior até Santiago (capela que se situava onde hoje existe o Parque de Ténis) e aqui era substituído pelo Pároco de Navais. Aliás, reconhecia no século XVIII o Prior Camelo Falcão que o clérigo de Navais "ainda hoje nella exercita a jurisdição de pároco". Informa-nos o Prior que esta capela "é templo mui vistoso, e ornado, cabeça de Irmandade "a que estão adidos os marítimos e pescadores do alto da vila" 13.

 

Portanto, e ainda que a festa da Senhora da Guia não fosse no século XVIII, como hoje a conhecemos, sabemos que a capela já existia, assim como a festa e a veneração que lhe devotavam os mareantes da vila. No final do século XIX, «O Ave» noticiava que não eram apenas os pescadores da vila que concorriam a esta romaria, mas também da vizinha Póvoa de Varzim 14.

 

Esta tradição manteve-se como um rochedo, com um dos muitos que servem de fundação à capela da Senhora da Guia. Nem a laica República (1910-1926), nem as dificuldades e fomes da I Guerra Mundial (1914-19) e II Guerra Mundial (1939-45), destruíram esta bonita tradição. Em 1915 o jornal "A República" noticiava a festa da Senhora da Guia, com missa, sermão e arraial, como Deus manda e não podia deixar de ser. E, rematava a notícia, que se o tempo permitisse, coisa que naquele ano não tinha acontecido, era um "passeio lindo que disfrutam todos aqueles que nesse dia vão à Senhora da Guia" 15. Em 1917, o temporal também alterou os programas desta festa, realizando-se a procissão no dia 2, dia da festa 16.

 

Se tempo houve que pusesse em causa os festejos, esse foi o tempo metereológico. "Senhora da Guia a rir é o Inverno que está para vir. Senhora da Guia a chorar é o Inverno a acabar". Este rir e chorar aludem ao bom ou mau tempo, respectivamente. E é esta esperança de que o Inverno passe, e logo desponte o sol e o bom tempo que se deposita na expressão da Senhora. Se está sol, pois então vai a Senhora a rir; se está a chover, pois então vai a chorar. Em 1941, queixava-se o Jornal "Renovação" que apesar do mau tempo e da carestia de vida, os pescadores vinham a esta festa para "exteriorizarem a sua alegria nos estabelecimentos de vinho da beira-rio, contentes das graças e milagres recebidos" 17. Esta fé aliada à necessidade de conviver em tempo de defeso, tem sido o motivo para a longevidade desta festa. Apesar dos tempos maus da guerra e da fome, nunca faltou o dinheiro para a fazer. E a festa desenrolava-se desde a zona ribeirinha da cidade até à capela. Numa primeira fase não importava se o dia da procissão calhava no Domingo anterior ou no dia anterior. Artur do Bonfim conta nas suas memórias que a construção naval parava, quando pelos estaleiros passava a procissão. Muito provavelmente, isto tem a ver com a novena. Voltando a recorrer à memória de Artur do Bonfim, quinze dias antes da festa distribuíam-se os santos por casas particulares, enquanto a Senhora da Guia "Nova" ia para casa de Jeremias Novais, construtor naval onde se fazia a novena popular. A Senhora da Guia "Velha" ia para a Matriz, para a novena oficial 18. Terminada a novena, geralmente no dia anterior, saía a procissão, para que no dia seguinte se realizasse a Missa e o Sermão, com a capela devidamente asseada. Este era dia santo de guarda, de tradição antiquíssima. Ora, como o ritmo da vida económica não se compadecia com os ritmos das tradições e nos anos 50 a procissão passou a ser ao Domingo e a festa manteve-se no dia 2. Nela tomavam parte todos os santos que existiam na capela. Digno de nota é a incorporação da nova imagem de Nossa Senhora dos Pescadores, outrora conhecida por "Stella Maris" ou "Estrela do Mar", "reconhecida como uma das melhores obras de arte da escultura religiosa nacional"19.

 

Lembro-me, em pequeno, de participar nesta procissão. Participava porque o meu avô trabalhava no estaleiro do Samuel, família muito ligada à Senhora da Guia. Nos anos oitenta, os andores viravam ao rio nos estaleiros, entre as carcaças dos barcos que ali se faziam. Demorava uma eternidade e, nós, os anjinhos, mortos de frio e de cansaço ficávamos sentados no chão. Depois era o ribombar dos foguetes, que saudavam a padroeira dos mareantes de Vila do Conde. Quando a procissão passava junto ao quartel dos bombeiros, que naquela época era junto à doquinha (onde hoje remata os edifícios da Alameda), com a corporação alinhada e os carros perfilados, entrava no quartel a imagem do seu padroeiro, S. Marçalo, e então era ouvir as sirenes a tocar e o toque de continência. Era muito comovente. Voltavam a tocar a continência quando passava o pálio, com a relíquia do Santo Lenho que a capela possui. Depois, a procissão voltava a virar-se para o rio no Cais dos Assentos. Já no tempo do Senhor Artur do Bonfim se voltavam os santos neste lugar. Era a saudação da Virgem a uma sua afilhada, que vivera na Azurara, e de lá lançavam o foguetório, tradição que os seus descendentes ainda hoje cumprem. Relata Artur do Bonfim uma velha história sobre este facto: em 1908 quando se viraram os andores ao rio, a imagem da Senhora da Guia terá rodado sobre si. Perante a recusa da Virgem em rodar para o rio, o povo logo viu sinal de mau presságio. E, de facto, teria sido por aquela hora da tarde que, em Lisboa, eram assassinados o Rei D. Carlos e o Príncipe Real D. Luís Filipe. A notícia estalara na Vila durante essa noite e fora confirmada no dia seguinte.

 

Finda a procissão ou a missa, começava a festa profana. Não muito distante do que hoje se passa na tarde da romaria. Em 1937, noticiava a Renovação, que o arraial decorreria na tarde do dia 2 de fevereiro, abrilhantado por "um auto-falante propriedade do sr. João Garcia que nessa tarde estrizará vários discos de música" e encerrará a festa com oito peças de fogo preso 20. Também Artur do Bonfim lembra que após a procissão os pescadores ocupavam as tascas da beira-rio. Era a malgada (o vinho bebia-se à malga). Quando o estado de embriaguez ia já avançado, aclamava-se a Virgem com vivas à Virgem e vivas à malgada, as duas razões pelas quais se encontravam naquela situação. Apesar de Monsenhor José Augusto Ferreira, nada de mal ver nesta tradição, foi o Padre Porfírio Alves, mais austero e rigoroso, que acabou com ela 21.

 

Estes são os vários rostos que a Senhora da Guia, tem para os vilacondenses: último recurso dos homens do mar, premonitória das grandes catástrofes nacionais e do tempo meteorológico, motivo de festa e de convívio . A ela, reservamos, por fim, um último epíteto, mais doce, de consertar os corações desavindos. Dela escreveu Duarte Silva:

 

"Nossa Senhora da Guia

Que tantos milagres fazes,

Ando de mal com Maria

Vem-nos tu fazer as pazes!"22

 

Conclusão

As festas e o convívio a elas associadas marcam um ritmo ao longo do ano. Não são unicamente símbolos religiosos. São símbolos da nossa cultura. Num mundo marcado pela absorção cultural (e é bom que saibamos apreciar outras culturas), há que defender o que é nosso. As tradições fazem-se da repetição dos costumes. Umas, por debilidade ou falta de enraizamento na população desvanecem-se no tempo. Outras, mais fortes, resistem ao tempo e à mudança. As tradições são a grande "desculpa" para nos tirar da rotina diária e aproximar dos que nos são mais queridos. É esta adesão que nos identifica e nos reúne numa simbiose a que chamamos povo. E se neste mundo tão aflito com as questões da atualidade, as tradições reforçarem os laços que nos prendem, sirva de saudável escape para os nossos problemas, e, por isso, nos torne seres humanos mais felizes, então que no nosso coração não morra mais o grito "Viva a Virgem! Viva a malgada"!

 

Notas / Bibliografia:

1 – Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT) - DICCIONÁRIO GEOGRÁFICO DE PORTUGAL, Tomo 40, Vol. 3, página 33

2 – Biblioteca Municipal de Vila do Conde (BMVC) - Jornal de Villa do Conde, nº 164 de 12 de Janeiro de 1889, p. 2

3 – BMVC – NOGUEIRA, M., 1908 – "A Nossa Gravura" in "O Commércio de Vila do Conde", nr.º 63 de 2 de fevereiro de 1908, p. 1-2

4 – BMVC – RENOVAÇÃO, nr.º 417 de 22 de janeiro de 1949, p. 4

5 - REIS, A. do Carmo (coord.), 2009 – "As memórias de Artur do Bonfim". Vila do Conde, Ateneu de Vila do Conde, p. 75

6 – BMVC – A República, nr.º 304 de 14 de janeiro de 1917, p. 2

7 – BMVC – A Renovação, nr.º 468, de 21 de janeiro de 1950, p. 2

8 – GUIMARÃES, Hélder, 2008 - "Os Ilustres de Vila do Conde". Porto, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, p. 186-194.

9 – BMVC – A Renovação, nr.º 161, de 31 de janeiro de 1942, p. 2

10 – BMVC – A Renovação, nr.º 257, de 15 de janeiro de 1944, p. 4

11 – BMVC – A Renovação, nr.º 569, de 26 de janeiro de 1952, p. 3

12 – BMVC – A Renovação, nr.º 718, de 22 de janeiro de 1955, p. 4

13 - ANTT - DICCIONÁRIO GEOGRÁFICO DE PORTUGAL, Tomo 40, Vol. 3, página 33

14 – BMVC – O AVE, nr.º 138, de 4 de fevereiro de 1895, p. 2

15 – BMVC – A República, nr.º 304, de 16 de janeiro de 1916, p. 1

16 – BMVC – Vilacondense, nr.º 27, de 4 de fevereiro de 1917, p. 1

17 – BMVC – Renovação nr.º 111, de 8 de fevereiro de 1941, p.2

18 – REIS, A. do Carmo (coord.), 2009 – "As memórias de Artur do Bonfim". Vila do Conde, Ateneu de Vila do Conde, p. 76

19 – BMVC – RENOVAÇÃO, nr. 212, 30 de janeiro de 1943, p. 2

20 – BMVC - RENOVAÇÃO, nr. 110, 31 de janeiro de 1937, p. 4

21 – REIS, A. do Carmo (coord.), 2009 – "As memórias de Artur do Bonfim". Vila do Conde, Ateneu de Vila do Conde, p. 79

22 –SILVA, Duarte, 1980 - "Fado" in "Rancho da Praça". Porto, Brasília Editora.

 
 

 

 
 
 
 

 

 

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